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Classificar pelo que ensina, não pelo que custa
Quadro funcional proposto numa revisão narrativa da literatura de simulação clínica. É a base de toda a navegação deste catálogo.
A fidelidade descreve o equipamento.Não descreve o que o aluno aprende com ele.
O problema de classificar por fidelidade
A classificação habitual —alta, média e baixa fidelidade— descreve a tecnologia do equipamento, não o que o aluno aprende com ele. É também uma escala que não é objetiva: duas pessoas classificam o mesmo simulador de forma diferente, e nenhuma das duas está errada, porque não há um critério que as separe.
Pior: leva a comprar por especificações. Um centro acaba com um simulador de alta fidelidade subaproveitado e sem os task trainers de que precisava para as horas de prática. O equipamento está certo; a pergunta que levou até ele, não.
O que o quadro propõe
Inverter a ordem. Primeiro define-se que competência se quer treinar; daí deduz-se a modalidade, e da modalidade o equipamento. A fidelidade deixa de ser um eixo de classificação e passa a ser uma consequência: um cenário de ultrarrealismo é fiel porque aquilo que treina o exige, não porque a fidelidade seja um valor em si.
Isso dá cinco modalidades definidas pelo seu objetivo de aprendizagem, mais uma sexta categoria para os modelos de compreensão anatómica, que não treinam um procedimento mas constroem o mapa mental em que as outras cinco se apoiam. Separá-la é o que evita medir com a mesma vara um coração desmontável e um simulador de parto.
Quatro eixos, não uma árvore
Um equipamento não vive numa pasta: tem um valor em cada eixo, e chega-se a ele por qualquer um dos quatro.
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4
Segmento
Quem se forma. A área profissional do aluno, em licenciatura ou em pós-graduação.
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6
Modalidade
Como se treina. Definida pelo objetivo de aprendizagem, não pela tecnologia do equipamento.
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52
Especialidade
Em que área clínica, mais o âmbito veterinário.
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175
Procedimento
Que técnica concreta. Por aqui entra quem já sabe o que procura.
Um equipamento, um valor de cada eixo
Chega-se a ele por qualquer um dos quatro. Quem sabe que técnica quer treinar entra por procedimento; quem está a montar uma sala entra por modalidade; quem vem de uma faculdade entra por segmento ou por especialidade. Os quatro caminhos levam ao mesmo sítio, e nenhum é o principal.
Como se usa na prática
A modalidade é a primeira pergunta, não a última. Antes de olhar para o catálogo define-se que competência se quer treinar; a modalidade deduz-se do objetivo, e o equipamento da modalidade. Se a resposta a «o que queremos que o aluno saiba fazer quando sair?» não estiver clara, nenhum catálogo a vai esclarecer.
As seis modalidades formativas
Cinco definidas pelo objetivo de aprendizagem, mais os modelos anatómicos, que não treinam um procedimento.
Task trainer
Destreza procedimental específica.
2.027 equipamentos → Um gesto técnico isolado, repetido até deixar de se pensar.Modelo anatómico
Compreensão da estrutura e da função.
876 equipamentos → Não treina um gesto: constrói o mapa em que os outros se apoiam.Simuladores de doente e de equipamento
Competências técnicas, não técnicas e manuseamento do equipamento.
386 equipamentos → Um doente que responde, uma equipa que decide e as máquinas que os sustentam.Ultrarrealismo
Cenários críticos de alto impacto.
435 equipamentos → Treinar a resposta quando as condições não ajudam.Paciente simulado
Comunicação e relação terapêutica.
251 equipamentos → A comunicação é o procedimento.Ferramentas digitais
Raciocínio clínico e decisão.
24 equipamentos → Escala e repetição onde o equipamento físico não chega.Quadro de referência
Taxonomia da simulação clínicaA revisão narrativa e o quadro prático em que assenta esta classificação. Maradiaga C. L. e Mendes V. H., 2026.
Documentação
Tudo o que pode descarregar sem nos pedir nada.
Não sabe de que modalidade precisa?
Diga-nos o que quer que o aluno alcance e propomos-lhe a modalidade, a estratégia didática e o equipamento que a sustenta.